Não vencerás e não convencerás, mas tentarás
Venceréis, pero no convenceréis. Venceréis porque tenéis sobrada fuerza bruta, pero no convenceréis porque convencer significa persuadir. Y para persuadir necesitáis algo que os falta en esta lucha, razón y derecho. Me parece inútil pediros que penséis en España.
Em 2022, Luís Inácio foi eleito porque teve 1.8% a mais de votos. Foi a primeira vez que votei nele, primeira vez que fiz campanha também: contribuí diretamente para três dúzias de notícias originais sobre a associação do então presidente e seus asseclas com a trinca nefasta de armas, nazismo e guerra.
Nos dias ruins, ao dormir lembro-me desse tempo e alegro-me. Penso e afirmo (porque dentro da minha mente ninguém se contrapõe) que tirei de Hermógenes 0.9% de seus antigos eleitores (eu próprio inclusive), revertendo a maré apesar dos bilhões despejados na campanha.
Fiz pela República.
Coisas minhas apareceram até no Jornal Nacional, mas me orgulho mais de uma pequena matéria que criticou as análises que o Exército Brasileiro fazia sobre a guerra na Ucrânia, obrigando a Força Terrestre a retirar do ar as publicações.
O exército estava errado, eu estava certo.
Ah! O ego! Meu ego!
Hoje gosto de Carnaval
Ir pra praça e farrear não foi do meu gosto por décadas. Adolescente ou jovem adulto, detestava o carnaval: desordem demais, felicidade demais. Não suportava gente atoa farreando cinco dias.
Fiquei velho, deixei de ser fascista. Hoje anseio pelo próximo carnaval, apesar de não sambar (isso não tem remédio).
A minha antiga repulsa era baseada num desejo de “ordem e progresso”, dessas mentes que acham que pra tudo existe uma ordem natural das coisas. Nunca fui racista, essa pecha não carrego. Mas já fui defensor do uso da força e de soluções simples para problemas complexos.
Já fui fascista e como todo bom fascista era fascinado por armas e guerras. Engenheiro que sou, estudei muito materiais, química e balística.
Perdi o fascínio, passei a ter horror a armas. Mas o estudo continua comigo, mais firme do que nunca.
Maximiliano III
É claro que eu iria falar sobre a situação na Venezuela, é o que domina minha mente desde agosto. Não só a futura degradação do Miss Universo, com a piora das condições de concurso em Caracas, mas também o uso de OWAs e o título de Vice-Rei.
Brincam-se pelos corredores de Washington, que Marco Rubio agora é o “Vice-Rei da Venezuela”. Para mim, reinante estrangeiro invasor deve ser chamado de Maximiliano e ser deportado num caixão.
Trump acabando-se como Napoleão III em Sedan, seria satisfatório. Mesmo que dessa vez a unificação seja às custas de Taipei, porque os republicanos investiram menos de 2% do PIB em defesa, enquanto os comunistas decuplicaram o arsenal. De certo modo, Taiwan só tem a culpar a si próprio pelo destino que terá.
Me dá um frio na espinha toda vez que ouço a palavra “hemisfério”, porque os adjetivos posteriores reduzem nós brasileiros às galinhas de um terreiro.
A união do perene desejo imperialista yankee com a obsessão pelo taxpayer money dos MAGA, materializou-se na Venezuela em 03 de janeiro no uso dos baratíssimos drones OWA contra civis em Catia La Mar. Pobres venezuelanos, que de Trump esperavam a libertação, mas acabaram por receberem chumbo. Porque os imperiais não vêem seus vassalos como dignos do gasto de $1.5mm por tomahawk (cada LUCAS OWA custa 30x menos).
Temo que os rednecks tenham encontrado a arma perfeita para opressão colonial na forma dessa cópia texana do Shahed: desde Gainesville dispararão contra nós no terreiro, milhares desses drones baratos como forma de punição por não atendermos os desejos da máfia.
O caminho de menor resistência
Eu queria ser astronauta, mas hoje estou como corretor de seguros porque não consegui vencer a resistência imposta pela labirintite. Para vender apólices não preciso parar em pé, mas para pilotar uma Soyuz … eu simplesmente não poderia.
A sua vida também é assim, caro leitor, vamos indo pelo caminho de menor resistência. E o que é a política nacional senão um amontoado de vidas de escoamento não resistente? Pois que imperadores fajutos também se movem por essa regra.
Se é petróleo que querem, então porque os MAGA não foram atrás de Ali Khamenei, que produz 4x mais que Maduro? Ou atrás de Lula e seus 3mm barris/dia?
É que a resistência em Teerã será muito, muito maior que em Caracas. Enquanto que em Brasília, seria maior.
Estou errado sobre os comparativos sintéticos e tempos verbais que escolhi acima?
No caso do Irã, acho que saberemos nos próximos dias (apesar de já termos os eventos de junho/2025 e abril/1980).
No caso do nosso Brasil, precisamos relembrar 10 anos atrás.
One Way Attack Drone
Em janeiro de 2016, Aldo Rebelo era o Ministro da Defesa do Brasil. Civil, filiado ao PCdoB, de longa e sólida carreira política ao lado do PT. Tinha o respeito da tropa e conhecia o tema da pasta. O processo de impeachment foi conduzido com severa turbulência política, obviamente. Mas os militares não deram um pio.
Quem imaginaria, naquela época, que dentro de dois anos as Forças Armadas reviveriam o pennabottismo. Quem?
Entre o tweet de Villas Bôas e a ameaça de morte na face, que recebi ao furar bloqueio na rodovia, passaram-se apenas 4 anos e 7 meses. O general, inválido por doença degenerativa, escapou da cadeia. Mas seus colegas de AMAN que permitiram a ação dos milicianos pennabottistas nas rodovias e portas de quartéis, hoje veem o sol nascer quadrado. Inclusive dois ex-Ministros da Defesa.
Espaço de tempo mais constrito, separam o dia da apresentação do primeiro OWA Shahed-131 em janeiro de 2017 e o primeiro uso em combate contra a Arábia Saudita em setembro de 2019: 2 anos e 9 meses.
Em modo acelerado, saltamos apenas 12 meses até setembro de 2020. Naquele mês, foi deflagrada a Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh. A primeira guerra da história, na qual drones OWA foram responsáveis pelos ataques mais consequentes.
Outros 12 meses teriam separado a captura final de Stepanakert pelos azeris, do início da 2ª Invasão Russa da Ucrânia, mas probleminhas entre Tokayev e Nazarbayev, desviaram a atenção de Putin até fevereiro de 2022 e o resto é história presente: a Rússia dos mísseis SATAN e bombas TZAR, hoje é usuária primária de OWAs de $20.000, motor a pistão e asas de plástico.
Quer uma mudança ainda mais drástica e rápida em termos de fascismo e OWAs? Era junho de 2023, Mette Frederiksen recebia elogios de Joe Biden no Salão Oval. Tão cedo quanto 25 de janeiro de 2025, 5 dias após tomar posse, Trump já falava em conquistar a Groenlândia. Em julho de 2025, o Pentágono apresentou seu primeiro OWA, uma cópia do Shahed chamada de LUCAS.
E hoje, meros 30 meses após o encontro amigável e elogioso entre os aliados históricos, os EUA já batizaram LUCAS contra a Venezuela e ameaçam usar o mesmo poder de fogo contra o Reino da Dinamarca.
Pobre Hamlet.
As hóstias e a hecatombe
Antônio é ministro da igreja aqui na roça. Na sua escala católica, calmamente abre o sacrário e serve as hóstias aos fiéis com rigidez e perseverança. Joga baralho na praça todo fim de tarde e tendo passado incólume por cinco prefeitos diferentes, não comenta uma vírgula sobre política. Jamais.
Mas anteontem Antônio estava inquieto e nervoso, ziguezagueando pelo pátio de máquinas da prefeitura. Era a coleta de lixo que o preocupava. Tendo passado o feriado do ano-novo e o costumeiro acúmulo excessivo de latinhas e embalagens descartáveis, a administração municipal resolveu dar folga coletiva à todos servidores na primeira segunda-feira do ano, para renovarem o Atestado Ocupacional. Garis inclusive.
Era dia de coleta na sede do município, composto por três arraiais. A falta do caminhão compactador me incomodou também, mas não tanto quando incomodou a Antônio. Nem de longe. Para ele não era só questão do mal-cheiro que suportaríamos até a próxima quarta-feira, segunda dia de coleta de rotina. Mas sim o fato de que estava chovendo muito, e que o lixo acumulado serviria de criatório para o mosquito da dengue, aumentando as chances de espalhamento dessa doença maldita.
Vírus esse que em 2024 contaminou metade da população adulta da cidade (eu inclusive) e me impulsionou a arranjar a primeira reportagem nacional para a qual eu próprio fui fotografado.
Quando recepcionei a equipe jornalística na minha casa, minha intenção era que outros jornais entrassem na onda, expondo os casos de epidemia em outros locais. Numa ofensiva midiática para instilar medo na população e ativar o poder da classe política: eu queria que o governo comprasse mais vacinas, muito mais vacinas.
Deu errado. Apesar do meu horror ao ver 140 atendimentos/dia no posto de saúde local (5% da população/dia), nenhum político em Brasília se assustou tanto. Não houve ofensiva midiática.
Em termos de proteger a roça contra a dengue, a abordagem de Antônio das Hóstias foi mais eficaz que meus recursos políticos. Já que o servidor público deu jeito de converter um trator agrícola em caminhão de lixo, e realizar as coletas planejadas.
Davi do golden shower
Dez anos no futuro, talvez algum historiador chegue à conclusão de que a humanidade teria se saído melhor caso Putin tivesse publicado as imagens do golden shower de Trump em Moscou (se é que existem).
Porque os arquivos de Epstein não salvaram Maduro.
Enquanto escrevo esse, os EUA estão a abordar no Atlântico Norte o navio Bella 1/Marinera. Registrado em lugar nenhum, perseguido desde o Caribe e agora registrado sob a proteção da Marinha Russa, esse super navio tanque não recebeu a escolta antes do ataque da Força Delta. Está sequestrado, pirateado.
Qual é a lista de Trump 47⁰, então? Uma série de ataques cirúrgicos, rápidos e mortais. Pura fanfarra de poderio militar, aversa à operações fracassadas.
O homem está pegando gosto por ações militares fantásticas fora do território dos Estados Unidos. Porque seja em águas internacionais ou sobre países sem aliados, o presidente tem liberdade de ação total por até 90 dias. Dentro da lei.
Impedido pela suprema corte de usar os militares dentro do país, Trump cada vez mais responderá com ameaças e ações externas, preferencialmente contra outros chefes de estado porque rende mais mídia.
Foi-se Maduro, e ele já ameaça Delcy, Petro e Khamenei.
Sabe qual outro “comandante-em-chefe” adora esse tipo de ação militar? O filho menos querido de Benzion Netanyahu. Amigão de Trump, por sinal.
Para imaginarmos o que o futuro próximo reserva à Terra de Vera Cruz, basta cruzarmos Miami com Jerusalém.
Jimmy Carter no inferno
Carter era um homem de bom coração. Empático. Um estadista inigualado por seus sucessores. Mas de boas intenções o inferno está cheio.
Eu perguntei à IA o seguinte: nos últimos 100 anos, quando foi que os Estados Unidos não estiveram em guerra? A resposta mostra vários períodos de três até cinco anos, entre o fim da ocupação do Haiti e, pasmem, o governo Carter.
Foi Carter quem iniciou a Guerra Infinita em 1980, seguindo recomendação de Zbigniew Brzezinski (que também arde nas profundezas da Terra por isso). Até aquele tempo, bomba era uma coisa e trigo era outra coisa.
Em resposta aos eventos do final de 1979 (invasão do Afeganistão e crise dos reféns no Irã), Carter ordenou retaliação à União Soviética na forma do boicote olímpico e de restrições ao mercado de trigo. Bem como autorizou a operação Eagle Claw, desastrosa.
Em suma, o resultado foi que ao misturar guerra com comércio e esportes, Carter deu pano pra manga aos falcões de Washington. Tudo passou a ser “ameaça aos EUA”, “questão de segurança nacional”. É por isso que hoje vemos Marco Rubio e Stephen Miller, tratando o tráfico de fentanil como “arma de destruição em massa” (WMD). Até os anos 1970, WMD era a Tzar Bomba.
Onde foi fracassado, ao tentar resgatar os reféns em Teerã, a repercussão ainda no governo Carter foi de revisar toda a estrutura e doutrina das forças especiais norte-americanas. Criando as formidáveis capacidades que vimos em ação na captura de Maduro, 45 anos depois.
O incansável Jimmy, ainda fez algo notável, digno de Nobel da Paz: o acordo Egito - Israel. Graças a Carter (em parte), obuses não voam mais sobre o Sinai. Contentam-se em cair sobre Gaza apenas.
Pobres palestinos, vítimas segundas desse acordo. Porque as primeiras vítimas foram os libaneses (e os palestinos refugiados ali, claro). O processo que culminou nos acordos de Camp David em setembro de 1978, começou pra valer em novembro de 1977 quando Sadat discursou no parlamento israelense em Jerusalém.
Israel invadiu o Líbano em março de 1978, ainda durante as negociações. Depois re-invadiu em 1982 e ficou até o ano 2000. Retornando em 2006 e 2024. A IDF ainda está lá, hoje. Mas nem só de cavalaria mecanizada e amplas frentes de combate, vivem as Forças Armadas de Israel.
Os militares sionistas são viciados em operações especiais. Muitas vezes em overdose.
Perguntei à IA o seguinte: de 1978 até hoje, em quais anos não tivemos notícia sobre ações violentas de Israel dentro do Líbano?
Claro, a resposta foi ano algum. Excluindo-se os anos de guerra total ou ocupação, em todos os outros ocorreram operações especiais por parte do Mossad, Shayetet 13, etc…
É culpa de Carter, Sadat e Begin. Porque o acordo de Camp David eliminou a última ameaça série de guerra convencional contra Israel. Que passou a desenvolver suas forças armadas em torno de operações especiais, já que divisões de infantaria mecanizada avançando em linha sobre os soldados suicidas do Hamas e Hezbollah, de pouco adiantariam.
Israel é um estado-guarnição: sempre em alerta, sempre ameaçado, sempre em guerra. Nos seus 77 anos de existência nunca viu paz, mas também nunca pediu ajuda (em questão de homens, porque vive de armas importadas). Nunca pediu ajuda, até que apareceu uma montanha no caminho: o ataque conjunto yankee-sionista contra Fordo no Irã foi único na história.
Ataque midiático contra uma instalação nuclear que já seria desativada, e que não continha nenhum urânio (mente quem diz o contrário). Executado como se fosse uma operação especial do Comando Delta: as bombas GBU-57 foram desenvolvidas especialmente para atacar Fordo, a montanha foi estudada nos mínimos detalhes por anos, o treinamento dos pilotos levou década e no fim tudo durou 60 minutos, sem baixas ou feridos (de ambos os lados).
“Quando se tem um martelo de US$ 1 trilhão, tudo o que se vê são pregos”, é o ditado. Mas Trump e Netanyahu são dois carpinteiros com muito medo de acertarem os próprios dedos, só dão cacetada em pregos frágeis e isolados: crianças na linha de Gaza e ditadores caricatos.
Será?
Limiares de um futuro incerto
Em 1827, o governador otomano de Argel deu uma bofetada no cônsul francês. Como resposta, a metrópole impôs um bloqueio naval à sua futura colônia. Que invadiu três anos depois.
O limiar da Casus Belli nunca esteve tão baixo quanto naquele tempo. Por outro lado nunca esteve tão em alta, quanto no intervalo 1938 - 1941: Hitler invadia países e exterminava raças inteiras, mas os Estados Unidos dormiam em berço esplêndido. Pindorama mais ainda, em paz com todos até 1942.
Guerra é moda, eu diria se meu léxico fosse mais limitado. E nessa época de trends do TikTok, pergunto se o rei da reality tv, Donald Trump, poderia ordenar um ataque militar contra a República Federativa do Brasil?
O limiar para ações militares norte-americanas é decrescente na Casus Belli e crescente nos riscos aceitos.
Qassem Soleimani armou as milícias anti-EUA por duas décadas, assim sendo indiretamente responsável por milhares de mortes de soldados americanos no Iraque. Foi morto numa operação de ataque por drone, com ZERO riscos aos envolvidos. A posterior retaliação iraniana, foi diplomaticamente contida. Estamos em 2020.
Cinco anos depois, Maduro foi sequestrado porque irritou Trump ao dançar “Don’t worry, be happy”. A operação que o capturou envolveu tropas em solo venezuelano e bastaria um soldado cubano com insônia, para soar o alarme e transformar Caracas em Mogadíscio. Sucesso que foi, poderia ter sido um desastre.
Alexandre de Moraes foi sancionado por cinco meses, porque alguém cochichou no ouvido de Trump que era malévolo. Depois, de repente, outra pessoa cochichou o contrário e Moraes foi de-sancionado.
Qual é o limiar para justificar sanções através da Lei Magnitsky? Em 2009 o mínimo era ser assassino confesso mas fugitivo ou torturador de uighurs. Agora em 2025, até mesmo os juízes da Corte de Haia, os maiores algozes de assassinos, foram sancionados através da Lei Magnitsky.
Tome nota!
O playboy contra Zé Bebelo
É inevitável um confronto militar com os Estados Unidos. Mesmo com toda a tradição pacifista do Brasil, mesmo com toda a habilidade do Itamaraty e dos nossos lobistas no estrangeiro, quando o movimento MAGA cisma com algo, transforma-se num trem imparável. Estão cismados com o “hemisfério ocidental”, e somos nós brasileiros a segunda potência regional nessa zona.
Dom Pedro I quando nos deu uma nação, gritou “Independência ou morte!”, não foi “Semi-independência ou morte!”.
Até aqui nos ajudou a sorte. No caso das tarifas. No caso das sanções. No caso do tráfico de drogas.
Até aqui proseei sobre Deus e sua obra, e agora retorno sintetizando:
- Estive certo muitas vezes e temo estar certo dessa vez, ao prever um confronto com os Estados Unidos. O caminho de menor resistência passa por Brasília antes de chegar a Ottawa ou Copenhagen, mas na jutlândia já está. Não demora, os MAGA olham no retrovisor e nos descem o porrete.
- Esse confronto será limitado no escopo militar, mas catastrófico para nosso futuro econômico e político.
- Será uma guerra-não-guerra, com fragatas, caças e tanques. Mas sem colinas tomadas e trincheiras na areia. Gente morrerá para gerar bom conteúdo de TikTok e cada dólar será contado. Drones reinarão.
- Seja como for que iremos nos preparar, não podemos cometer o erro que cometi no caso da dengue, não é o momento de instilar o medo na população em busca de uma mobilização político-militar. Terminaríamos com uma sociedade militarizada, desgostosa do carnaval e da vida, apaixonada pela morte.
Seja como for esse futuro próximo, o povo brasileiro deve-se manter feliz e cantador. Aproveitando as coisas iluminadas da vida.
Enquanto que eu e aqueles que me acompanham, nos preocupamos com os bombardeios na noite escura.
De chapéu desabado, avantes passos, veio vindo, acompanhado de seus cinco cabras. Pelos modos, pelas roupas, aqueles eram gente do Alto Urucuia. Catrumanos dos gerais. Pobres, mas atravessados de armas, e com cheias cartucheiras. (...) Os urucuianos não abriram boca. Mas Zé Bebelo rodeou todos, num mando de mão, e declarou forte o seguinte: “Vim por ordem e por desordem. Este cá é meus exércitos!...” Prazer que foi, ouvir o estabelecido. A gente quisesse brigar, aquele homem era em frente, crescia sozinho nas armas.
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Bombardeios na noite escura
Um pequeno anexo para explicar essa referência que repito tantas vezes: "bombardeios na noite escura" se refere à madrugada de 23 para 24 de fevereiro de 2022, quando começou a segunda invasão russa da Ucrânia.
Esperávamos aquilo fazia meses, mas de tão extraordinário e assustador que seria, torcíamos para que nunca fosse verdade. Eu queria muito estar errado sobre a hora zero, mas novamente não estava.
Esperávamos aquilo fazia meses, mas de tão extraordinário e assustador que seria, torcíamos para que nunca fosse verdade. Eu queria muito estar errado sobre a hora zero, mas novamente não estava.
Deitado à rede na varanda, com as luzes apagadas e celular na mão, li às 22:17h do dia 23 de fevereiro de 2022 a seguinte mensagem de um colega:
Ao sintonizar no transponder, ouvi um som quase igual à esse do vídeo abaixo (gravado em março daquele ano).
Esse "bipbipbip" de código morse até hoje me provoca pesadelos. Sinalizava o início da guerra, com os aviões bombardeiros russos do tipo TU-95 e TU-160 avisando que estavam no ar.
Na madrugada de 03 de janeiro de 2025, durante o ataque à Venezuela eu estava dormindo. Só vi o resultado pela manhã. Mas mesmo assim não passei sem pesadelos, porque o som que ouvi num dos vídeos é aterrador.
Outro bombardeio na noite escura, dessa vez filmado por gente que fala uma língua quase igual a minha e moram num país onde tenho amigos hoje.
No vídeo abaixo, o primeiro som que parece um motor a jato, é provavelmente de um míssil anti-radiação disparado contra o radar do sistema BUK posicionado em Catia La Mar. Os outros impactos são precedidos por um som de "motor de teco-teco", esses são os OWA LUCAS que tanto falei no texto principal.
Temo que os EUA desenvolvam OWA com alcance de 8.000km e bombardeiem minha roça.
Aqui em casa é telha.
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